dilma_lgbt

Programa ainda está em fase de finalização e terá como base um documento entregue a Rui Falcão

POR JULIANNA GRANJEIA


SÃO PAULO – Em meio à polêmica que envolveu o programa da candidata à Presidência Marina Silva (PSB) em relação às causas LGBT, a presidente Dilma Rousseff deve promover ainda neste mês um ato para o lançamento de seu programa de governo para a comunidade. O evento deve ser realizado em São Paulo.

O programa ainda está em fase de finalização e terá como base um documento entregue ao coordenador nacional da campanha e presidente do PT, Rui Falcão, pelo setorial LGBT da sigla. Os demais partidos que integram a coligação da chapa de Dilma também enviaram suas sugestões para a composição do documento.

O comitê da campanha de Dilma não nega a realização do evento, porém informou que a agenda da candidata para o mês de setembro ainda não está fechada. A assessoria informou ainda que Dilma tem se reunido com diversos setores da sociedade, como as mulheres trabalhadoras na agricultura, sindicalistas, jovens e industriais.

Membros do setorial ficaram animados com a declaração de defesa da criminalização à homofobia feita por Dilma após o debate realizado por SBT/Folha/UOL.

– Ninguém havia provocado a presidente nesse sentido, até então. E ela foi corretíssima. O recuo de Marina não foi nenhum espanto, já sabíamos a posição dela. O pessoal do setorial do PSB é sério, mas estamos em lados diferentes e sabíamos que eles teriam dificuldade. A provocação da imprensa nos ajudou a fortalecer o debate – afirmou a coordenadora nacional LGBT do PT, Janaina Oliveira.

A coordenadora afirma que os 13 pontos reivindicados já são executados pelo governo federal e que a intenção, agora, é que, além das políticas específicas, haja uma participação maior da comunidade nos programas sociais do PT.

– Queremos também trabalhar com as grandes políticas, como o Minha Casa, Minha Vida e o Pronatec, para que haja maior participação da comunidade nesses programas.

Entre os pontos reivindicados pela comunidade estão a criação de um Plano Nacional LGBT e a criminalização da homofobia, cujo projeto (PLC 122) não foi votado por orientação do governo, e a matéria acabou sendo anexada ao projeto de reforma do Código Penal, que ainda não tem data para ser votado. A mudança gerou muitas críticas da comunidade, inclusive na Parada do Orgulho LGBT deste ano.

Janaina negou que a aproximação de Dilma com representantes evangélicos possam atrapalhar a elaboração do programa da candidata.

– A criminalização da homofobia não tem nada a ver com religião. O povo brasileiro é carinhoso e tem recebido bem esse tema. E essa violência é um ponto que precisa ser discutido. O movimento LGBT não tem problema com religião, nosso problema é com o fundamentalismo, com essa pseudo-religião que demoniza os homossexuais e acaba contribuindo com a violência. O estado é laico e tem o dever para com todos – afirma a coordenadora.

Fonte: O Globo