A senadora de oposição, Jeanine Áñez, se declarou presidente interina da Bolívia e entrou na sede do governo carregando uma Bíblia.

A senadora de oposição, Jeanine Áñez, se declarou presidente interina da Bolívia em sessão extraordinária nesta terça-feira (12). Ela entrou na sede do governo boliviano carregando uma Bíblia e declarou a jornalistas: “A Bíblia volta ao Palácio”.

Desde a renúncia de Evo Morales até a proclamação da senadora, a Bolívia passou mais de 48h sem presidente. Áñez terá a tarefa de convocar novas eleições em um prazo de 90 dias.

Áñez, segunda vice-presidente do Senado, se declarou presidente depois que os próximos na linha de sucessão de Morales também renunciaram. A Constituição estabelece que, após a renúncia do presidente, o vice-presidente, o presidente do Senado ou o presidente da Câmara dos Deputados deve assumir a sucessão.

A proclamação de Áñez aconteceu em uma sessão legislativa no Parlamento sem a presença de representantes do Movimento Ao Socialismo (MAS), e sem quórum — número mínimo de pessoas necessárias para que uma deliberação. Representantes do MAS, partido de Morales, disseram que não compareceram por questões de segurança.

Protestos eclodiram na Bolívia após as eleições do mês passado, depois de uma parada inexplicável de 24 horas nas votações, resultando em denúncias de fraude eleitoral.

Áñez negou que Morales tenha sido vítima de um golpe, dizendo: “O que aconteceu na Bolívia foi a verificação de fraudes monumentais. Um golpe de estado é quando há soldados nas ruas”.

Nesta quarta (13), o Brasil reconheceu Añez como presidente interina da Bolívia. “O Governo brasileiro congratula a senadora Jeanine Añez por assumir constitucionalmente a Presidência da Bolívia e saúda sua determinação de trabalhar pela pacificação do país e pela pronta realização de eleições gerais. O Brasil deseja aprofundar a fraterna amizade com a Bolívia”, disse o Ministério das Relações Exteriores no Twitter.

Entre os que apoiam Morales está o líder da Venezuela, Nicolás Maduro, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández e também o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.