“A esquerda milita… precisávamos de um grupo para militar também”, defende pastor Takayama


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Em outubro, em âmbito federal, além de votar para presidente, os eleitores brasileiros escolherão 513 deputados federais e 54 senadores. A expectativa é que haja uma nova composição no Congresso.

Entre os blocos que tendem a crescer está a Frente Parlamentar Evangélica (FPE).  Alguns dos campeões de votos em seus estados pertencem à bancada que vem fazendo um importante contraponto a pautas que atacam diretamente a família e a vida.

O grupo é uma força em ascensão no Congresso Nacional, que reflete o “despertar” do conservadorismo brasileiro nos últimos anos. A cada legislatura, a bancada evangélica vem crescendo em tamanho, capacidade de organização e influência.

Segundo levantamento do jornal Estado de São Paulo, a FPE atualmente é composta por 84 parlamentares: 82 deputados e dois senadores. O número é mais que o dobro dos congressistas evangélicos eleitos em 2006, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, o Diap.

Na sua formação atual, os membros da FPE representam 23 Estados, 21 legendas e 19 denominações evangélicas. Muitas de suas diferenças regionais e partidárias são esquecidas quando se trata de votar e defender “pautas morais”.

Grupo heterogêneo

Sabidamente, não se trata de um grupo homogêneo. O fator principal de união é a defesa dos valores cristãos e da família. Via de regra, organizam-se para aprovar projetos favoráveis a essa plataforma e, mais seguidamente, articulam-se para barrar projetos desfavoráveis a ela.

Entre os assuntos mais comumente debatidos estão a proibição do aborto, a identidade de gênero nas escolas, o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a liberação dos jogos de azar e a legalização das drogas.

A participação dos membros dessa bancada nas comissões é estratégico. Hoje, os deputados evangélicos estão distribuídos em 159 das 184 comissões permanentes e temporárias da Casa.

Entre suas vitórias mais importantes na atual legislatura estão a aprovação da PEC 181.  Originalmente, pretendia ampliar o tempo de licença-maternidade em caso de parto prematuro. A bancada conseguiu modificar alguns termos e incluiu a ideia da “inviolabilidade do direito à vida desde a concepção”. Apelidada então de “PEC da Vida”, abriu caminho para tornar ilegal todo tipo de aborto – hoje permitido em casos como de estupro e de risco para a mãe.

Outra medida importante foi o “Estatuto da Família”, que ainda aguarda votação no plenário da Câmara. Para virar lei, as duas precisam passar pelo Senado. Mesmo assim, é inegável a capacidade de mobilização da FPE nas pautas que interessam a todos os seus membros.

“A esquerda milita. Entendemos que precisávamos de um grupo para militar também”, resume o pastor Hidekazu Takayama (PSC/PR), atual presidente da FPE.

Calcula-se que existam mais de 300 projetos em tramitação hoje na Câmara que ameaçam frontalmente os valores defendidos pelos evangélicos.

“O segmento se organizou e agora está muito bem representado. Há uma lista com os números dos projetos que são nocivos. Temos uma torre de vigia preparada para atuar”, destaca a deputada Tia Eron (PRB/BA), ligada à Igreja Universal do Reino de Deus.

No centro das articulações, ao lado do presidente Takayama, estão nomes conhecidos como Marco Feliciano (Podemos-SP) e João Campos (PRB-GO).

Os deputados evangélicos são somente 16% da Câmara. Em várias votações, a bancada precisa de aliados. Por isso, trabalham em conjunto com as frentes “Católica Apostólica Romana” e “Em Defesa da Família e Apoio à Vida”, somados os cristãos de diversas matizes, eles formam a “bancada da Bíblia”, que tem demonstrado repetidas vezes ser um dos ‘pêndulos’ na balança das votações do Congresso.

Fonte: Gospel Prime