<br /><br /> Fim da estrela: Szegedi comemora, em 2009, vaga de eurodeputado<br /><br /> Foto: AP/7-6-2009

BUDAPESTE — Csanád Szegedi tentou até o suborno para esconder que seus avós maternos, e por consequência ele próprio, eram judeus – a população que ele vinha culpando por alguns dos males da Hungria. A descoberta apagou uma das estrelas em ascensão da extrema-direita do país. Szegedi foi um dos fundadores, em 2007, da Guarda Húngara, um grupo que usava uniformes e bandeiras semelhantes aos da Cruz de Flechas – partido nazista que governou a Hungria logo após a Segunda Guerra Mundial. Szegedi deixou a organização antes dela ser banido pela Justiça e se juntou ao Jobbik, a maior legenda húngara de extrema-direita.

Em 2010, do alto da condição de líder e eurodeputado da legenda, culpou o “judaísmo das pessoas da elite política da Hungria” pelas privatizações realizadas após a queda do comunismo e reclamou das “compras de imóveis em massa que estão sendo feitas na Hungria para onde, não é segredo para ninguém, eles querem trazer israelenses”.

Ainda não se sabe se foi antes ou depois dessas declarações, mas no mesmo ano, Szegedi foi gravado oferecendo cargos e verbas a um ex-detento que dizia ter provas de suas raízes judaicas. O burburinho começou na internet e o segredo se desfez em junho:

– Foi aí que descobri que a minha avó era judia – disse o eurodeputado sobre a conversa na qual descobriu, também, que ela era a única da família a sobreviver ao Holocausto, em que 550 mil húngaros morreram.

Szegedi deixou o Jobbik e arrisca perder o cargo de eurodeputado. Mas, num país que em 2011 inscreveu o cristianismo na Constituição, declara-se alguém “com ancestrais de origem judaica, pois sou 100% húngaro.”

Fonte: O Globo