Egípcios tentam demolir muro de embaixada israelense no Cairo/Reuters

CAIRO – O primeiro-ministro do Egito, Essam Sharaf, disse que o acordo de paz do seu país com Israel não é “sagrado”, e pode ser alterado pelo bem da paz na região.

– O acordo de Camp David (de 1979) não é sagrado, e está sempre aberto a discussão com aquilo que poderia beneficiar a região e a defesa de uma paz justa. Nós poderíamos fazer uma mudança se fosse necessário – disse Sharaf a uma emissora turca.

Desde que Hosni Mubarak foi deposto, em fevereiro, as relações entre Egito e Israel se viu estremecida. A declaração desta quinta-feira foi a mais forte sobre os Acordos de Camp David, considerados fundamentais para o jogo diplomático do Oriente Médio.

O professor de ciência política Mustafa al-Sayyid disse que Sharaf aparentemente sinaliza a intenção de reforçar a segurança na fronteira de Israel, mas sem romper o tratado de 1979, que impõe limites à presença militar egípcia na região.

– Já foi bem demonstrado que o tamanho das forças egípcias nessa área não é suficiente para responder às ameaças à segurança. O número de soldados deveria ser aumentado, e o equipamento, melhorado – afirmou.

– Não acho que as forças políticas egípcias estejam propondo a revogação do tratado, muito menos o rompimento de relações diplomáticas”, acrescentou.

Egito e Israel vivem um momento de crescente tensão desde a derrubada de Mubarak, culminando com um incidente, no mês passado que resultou na morte de cinco soldados egípcios por forças israelenses que haviam cruzado a fronteira ao perseguirem supostos militantes palestinos.

Em reação ao incidente, uma multidão invadiu na sexta-feira passada a embaixada israelense no Cairo.

Questionado sobre as declarações de Sharaf, um porta-voz militar israelense disse que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu recentemente manifestou, em pelo menos duas ocasiões, seu compromisso com o tratado.

– Em ambos os lugares ele salientou a importância de manter o tratado de paz com o Egito, e que o tratado de paz é uma âncora para a estabilidade regional – disse o porta-voz Mark Regev.

O governo militar do qual Sharaf participa tem se empenhado em conter a indignação popular dos egípcios contra Israel depois do incidente na fronteira. O Egito chegou a ameaçar retirar seu embaixador de Tel Aviv, mas não o fez, o que enfureceu muitos egípcios que esperavam uma reação mais incisiva. Israel retirou seu embaixador do Cairo após a invasão da embaixada.

Ambos os países dizem que pretendem normalizar suas relações diplomáticas. O Egito prometeu reforçar a segurança na embaixada israelense, conforme exigiram Israel e os EUA.

Fonte: O Globo