Entidades incentivam boicote a Israel

“Para lutar de maneira pacífica contra a ocupação e a humilhação da guerra colonial em Israel” – assim é justificada uma campanha de boicote a marcas e produtos que mobiliza, desde 2005 e até este momento na França, mais de 170 associações, como Boicotar Israel, Palestine Secret, Palestine Solidarity Campaign e Associação dos Palestinos da França.

O objetivo é, claro, sensibilizar a opinião pública europeia sobre a necessidade de criação de um Estado Palestino nos territórios ocupados. Desde janeiro de 2009, o movimento de boicote comercial e cultural voltou a ganhar força em países como a França.

Grandes companhias multinacionais, como Coca-Cola, Danone, L”Oréal, Nestlé e Nokia, são foco da iniciativa, seja por realizar investimentos em Israel ou por “apoiar” o Estado israelense. A Disney, por exemplo, entra na lista porque, em seu espetáculo Walt Disney”s Millennium, realizado na Flórida, apresentou Jerusalém como capital de Israel.

Na França, as campanhas são constantes. “Há comandos organizados que visitam hipermercados como Carrefour e Auchan, vestindo camisas em que “denunciam produtos judeus”, apelando ao boicote. Isso é ilegal e desonesto”, protesta o presidente do Escritório Nacional de Vigilância contra o Antissemitismo (BNVCA), Sammy Ghozlan.

Mais recente é o boicote cultural. Na semana passada, a direção da sala de cinema Utopia, de Paris, anunciou a intenção de retirar de sua programação o filme A 5 heures de Paris, dirigido pelo cineasta israelense Leonid Prudovsky. A pressão da comunidade cultural fez com que os diretores voltassem atrás na estratégia. Mas nem todos voltam. No interior do país, onde proliferam os festivais culturais de primavera e verão, cantores e coreógrafos israelenses têm seus espetáculos ameaçados pela rejeição provocada pelo ataque à frota humanitária que seguia para a Faixa de Gaza.

O jornal Le Monde reagiu às ações em editorial: “Se há um país no qual os criadores analisam com talento e lucidez seu Estado, sua sociedade, seus líderes e sua política, é Israel.”

Fonte: “O Estado de São Paulo”