JERUSALÉM – O ministro do Interior israelense deu a aprovação final para um plano que visa construir 1.600 casas em Jerusalém Oriental, apesar de a divulgação do projeto no ano passado, durante uma visita do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, ter gerado um distanciamento diplomático de Washington.

A divulgação oficial nesta quinta-feira da aprovação do ministro do Interior, Eli Yishai, poderia pesar nos esforços liderados pelos EUA em dissuadir os palestinos a buscar o reconhecimento da Organização das Nações Unidas como Estado. Os palestinos já suspenderam os diálogos de paz por conta da construção de assentamentos israelenses.

A aprovação inicial para as 1.600 unidades residenciais em Ramat Shlomo, uma colônia judaica em uma área na Cisjordânia anexada a Jerusalém por Israel, foi concedida em março de 2010 e lançou uma sombra sobre a visita de Biden, ressaltando as divergências entre Israel e os EUA sobre a construção.

Na época, Biden condenou o plano israelense e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em raros comentários ásperos, disse que o ato era um insulto. O premier israelense, Benjamin Netanyahu, disse que lamentava que a decisão tivesse sido anunciada em momento inoportuno, mas rejeitou as críticas contra os assentamentos em Jerusalém e nos arredores da cidade.

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como a capital do Estado que esperam fundar na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Mas Israel considera toda a Jerusalém como sua capital, embora tal estatuto não seja reconhecido no exterior. Israel desistiu de Gaza em 2005, mas ainda rejeita a reivindicação palestina sobre todo o território da Cisjordânia.

O Ministério de Moradia israelense não respondeu imediatamente nesta quinta-feira a um pedido para o cronograma da construção em Ramat Shlomo.

Segundo o governo de Tel Aviv, a construção começaria apenas dentro de alguns anos. Mas o país agora enfrenta crescentes protestos por moradias mais baratas, aumentando especulações de que alguns projetos de assentamento poderiam ser acelerados.

Cerca de 500 mil judeus vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, áreas capturadas por Israel na guerra de 1967. Cerca de 2,5 milhões de palestinos vivem no mesmo território.

Fonte: O Globo