Gomes morava no país africano há sete anos; segundo conta, ele ficou nove dias preso em um ‘esconderijo clandestino’, com outros prisioneiros

O guia turístico maranhense Dagnaldo Pinheiro Gomes, 36 anos, deportado do Egito por supostamente divulgar ideias cristãs no país, de maioria muçulmana, chegou na manhã desta sexta-feira, 27, ao Brasil. Ele ficou nove dias preso no que definiu como um “esconderijo clandestino”, ao lado de prisioneiros que teriam sofrido torturas.

Guia turístico maranhense desembarca no Aeroporto Internacional de Guarulhos

Gomes morava no Egito há sete anos e foi preso no último dia 18, em Cairo, quando visitava as pirâmides do país. Policiais encontraram bíblias e folhetos cristãos escritos em árabe no seu carro e o detiveram pelo crime de proselitismo religioso, proibido pelas leis egípcias.

“Fui colocado em um lugar clandestino, com outros prisioneiros que eram torturados. Tive muito medo, cheguei a ficar incomunicável por alguns dias”, afirmou. Oficiais do corpo diplomático brasileiro visitaram Gomes na prisão e atuaram para que ele fosse libertado. “É muito bom voltar para meu país, aqui tem liberdade de expressão”, afirmou, após desembarcar no aeroporto internacional de Guarulhos.

“Tive medo de ser torturado”, diz brasileiro detido no Cairo

Guia turístico no desembarque em São Paulo

Ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em Cumbica, na região metropolitana de São Paulo, na madrugada desta sexta-feira (27), o guia turístico brasileiro detido no Cairo, capital do Egito, disse que teve medo de ser torturado. Ele foi deportado para o Brasil na quinta-feira (26). Dagnaldo Pinheiro Gomes foi detido depois de ser acusado de promover atividades religiosas.

“Tive medo de sair dali e ir para um lugar de tortura. Estava com prisioneiros que já tinham sido torturados. Eles sempre falavam: você pode ser torturado se a sua embaixada não lhe encontrar rápido”, afirmou Dagnaldo.

Ele disse que comia uma vez por dia, mas negou ter sido vítima de maus tratos. “Tinha direito a um pouco de comida uma vez por dia. Às vezes pedia água e eles não me davam, mas isso eu até entendo porque esse é o mês de jejum deles”, declarou referindo-se ao Ramadã.

Dagnaldo afirmou ainda que o material religioso que foi encontrado no seu carro estava em árabe. Porém, ele negou que fazia promoção de sua religião, o que é proibido no Egito. “No meu carro tinha um material cristão. Essa foi a acusação [para me prender]. É um material que qualquer cristão pode ter”, disse o guia, que morou por mais de sete anos no país. Ele foi informado por autoridades locais de que ele não pode voltar ao Egito.

Na terça-feira (24), o Itamaraty informou que o brasileiro havia sido  detido com outras duas brasileiras, que já foram liberadas.

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Fonte: Portas Abertas