RIO – Além da queda nos homicídios, que chegaram em março ao menor número para esse mês nos últimos 20 anos, a política de segurança – impulsionada pela pacificação de favelas – começa se refletir na saúde pública do Rio, como mostra reportagem do GLOBO neste domingo. Especializadas em medicina de guerra, experiência adquirida em anos de altas taxas de crimes, as quatro maiores emergências da cidade – dos hospitais Souza Aguiar, Miguel Couto, Lourenço Jorge e Salgado Filho – apresentaram uma queda de 46,6% no número de pessoas baleadas atendidas no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2009.

Rafael Ferreira foi atropelado por um ônibus em Campo Grande. O jovem aguardou atendimento na emergência do Miguel Couto (Foto: Gustavo Stephan / Agência O Globo)

A mudança também se refletiu na redução do total de baleados que morreu em hospitais públicos e privados em toda a cidade: foram 408 óbitos em 2010, contra 702 em 2009 (menos 41,08%). Na opinião de especialistas de emergências e gestores de hospitais, as UPPs e outras medidas adotadas pelo estado, como o estabelecimentos de metas para delegacias e batalhões, mudaram o perfil do atendimento nas unidades de saúde.

– Percebe-se uma curva descendente. Isso começou com a campanha de desarmamento, depois com o aumento da letalidade das armas, terminando agora com as UPPs. Antes, havia muito baleado de armamento comum. No entanto, com a campanha de desarmamento, esse número foi enxugado. Onde há áreas conflagradas, as vítimas nem chegam às unidades de saúde, morrem no local. Já nas áreas com UPP, isso foi zerado: não só o número de baleados com armas de grande calibre, como o de vítimas de armas comuns – afirmou o cirurgião José Padilha, do Hospital Souza Aguiar.

Fonte: O Globo