Um grupo de piratas somalis reivindicou nesta quarta-feira pelo assassinato dos quatro tripulantes americanos de um iate capturado na semana passada. O grupo ameaçou ainda matar outros tripulantes em seu poder, caso sejam atacados pelas forças navais que patrulham a região.

Qodal Ali-Yare Osman, um dos líderes do grupo, disse que os quatro americanos foram mortos após o iate ser atacado por um helicóptero dos Estados Unidos.

Joe Grande-11.jun.05/AP
Phyllis Macay e Bob Riggle são vistos em iate; eles foram mortos, junto ao casal Adams, no iate Quest, sequestrado por piratas
Phyllis Macay e Bob Riggle são vistos em iate; eles foram mortos no iate Quest, sequestrado por piratas

A Marinha americana, que participa de uma força naval multinacional nas águas do golfo de Áden, disse que um navio patrulhava a certa distância o iate, enquanto negociava a libertação dos reféns. Os militares reagiram após ouvir disparos na embarcação. Quando entraram no iate, descobriram que os reféns foram executados por seus sequestradores.

Os quatro americanos mortos eram os dois donos do iate Quest, Jean e Scott Adam, e seus convidados Phyllys Mackay e Rob Riggle. O iate foi sequestrado na sexta-feira passada (19) nas costas de Omã.

Segundo um amigo, os quatro americanos se conheciam do Seminário Teológico Fuller, em Pasadena. Desde 2004, os Adams viviam em seu iate na Marina Del Rey (Califórnia) por metade do ano. Os outros seis meses passavam velejando ao redor do mundo, frequentemente distribuindo Bíblias em partes remotas das ilhas Fiji, no Alasca ou Nova Zelândia, além da América Central e Polinésia Francesa.

Em Hobyo, o principal refúgio dos piratas no litoral da Somália, Osman disse que os marinheiros americanos “começaram a atacá-los”. “Nossa intenção era levar os reféns à costa e pedir um resgate, mas a decisão mudou quando um helicóptero dos EUA abriu fogo e matou dois de nossos companheiros”.

“A partir de agora mataremos qualquer cidadão americano, francês ou sul-coreano que caia em nosso poder, porque suas Marinhas matam a gente”, ameaçou.

Osman exigiu ainda a libertação de piratas somalis presos em outros países e a retirada dos navios de guerra internacionais que patrulham a área do Índico.

Segundo a ONG Ecoterra, com sede em Nairóbi, 50 navios estrangeiros e 800 reféns se encontram no poder de piratas somalis.

Fonte: Folha de São Paulo