Netanyahu diz que cumpriu missão com libertação de Shalit e ameaça palestinos que ‘voltarem ao terror’

Netanyahu com Shalit / Reuters

RIO – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta terça-feira que, com a libertação do soldado Gilad Shalit, cumpriu sua missão, e fez uma advertência aos presos palestinos libertados que “voltarem ao terrorismo”.

– Há dois anos e meio eu cheguei ao posto de primeiro-ministro e uma das missões mais difíceis e complexas sobre a minha mesa era trazer Gilad Shalit vivo para casa. E hoje essa missão foi completada – afirmou Netanyahu, que recebeu pessoalmente o soldado na base militar de Tel Nof, a cerca de 20 km de Tel Aviv.

Shalit foi libertado após um controverso acordo que envolve a libertação de cerca de mil presos palestinos, centenas deles condenados à prisão perpétua por terrorismo. Nesta terça, os primeiros 400 foram soltos e recebidos com festa em território palestino.

Netanyahu disse entender a dor das famílias que perderam parentes em atentados perpetrados por alguns dos palestinos libertados, mas lançou também uma advertência firme:

– Continuaremos combatendo o terrorismo, e cada terrorista libertado que voltar ao terror pagará por isso. É duro ver esses selvagens em liberdade, mas também sei que era o melhor acordo possível.

Muitos dos libertados foram recebidos pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, na Cisjordânia, e pelo primeiro-ministro Ismail Haniya, em Gaza.

Abbas aproveitou novamente para defender a formação do Estado palestino e disse aos libertados que eles “lutaram e se sacrificaram, e agora verão os resultados dessa luta num Estado independente com Jerusalém como sua capital”.

O negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, ressaltou que o Hamas, ao costurar o acordo com Israel, foi bem sucedido onde não foi o Fatah – facção dele e de Abbas.

A contestada concessão de Israel, ao abrir mão de centenas de presos palestinos em troca de apenas um soldado, levantou dúvidas sobre novos sequestros como o de Shalit podem acontecer.

O braço armado do Hamas deixou claro que, mesmo com a troca desta terça-feira, a batalha ainda está longe de acabar.

– Nós não vamos desistir até que as prisões caiam – disse, com uma máscara cobrindo o rosto, um membro das Brigadas Ezzedeen Al-Qassam identificado como Abu Obaida. – Um capítulo acabou, mas haverá outros.

Wafa al-Bass foi um dos libertados nesta terça-feira. Ele estava preso desde 2005 por tentar realizar um ataque a bomba e, ao retornar a Gaza, disse que “um Shalit deveria ser capturado” todos os anos até que todos os 5 mil palestinos presos em Israel sejam soltos.

Ban vê chance à paz

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse esperar que a troca de prisioneiros ajude no processo de paz entre israelenses e palestinos.

– A libertação terá um grande impacto positivo no processo de paz no Oriente Médio – afirmou Ban. – As Nações Unidas vinham pedindo o fim da inaceitável detenção de Shalit e de todos os palestinos cuja situação humanitária era crítica.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, também comentou a liberação do soldado israelense e afirmou que isso representa um passo importante nas negociações de paz. Ele lembrou a posição favorável do Brasil ao reconhecimento de um Estado palestino e disse que a liberação “é um bom presságio” para o futuro das negociações.

– Em uma região como essa, qualquer passo é importante – disse Amorim.

Ele não quis, no entanto, comentar a eventual ida para o Brasil do palestino Tawfic Abdallah, marido da brasileira Lamia Maruf, um dos trocados por Shalit.

Palestinos falam em fim do cerco

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Mahmoud al-Zahar, afirmou em entrevista publicada nesta terça-feira que o acordo inclui o fim do cerco imposto por Israel à Faixa de Gaza.

O cerco, que impõe fortes restrições à vida dos 1,5 milhão de palestinos residentes no território, foi decretado há mais de dez anos, mas se tornou mais rígido após a captura de Shalit, em 2006.

Na entrevista ao jornal israelense “Haaretz”, Zahar diz que, além de incluir o fim ao cerco, o acordo firmado entre Israel e o Hamas também prevê o cancelamento das medidas tomadas há alguns meses para endurecer as condições dos prisioneiros palestinos em cadeias israelenses.

O governo israelense ainda não se pronunciou sobre as declarações do líder do Hamas.

Fone: O Globo

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