Este artigo é a segunda parte de uma série, retirado do portal The Resurgence.com, traduzida por André Scultori. A primeira está aqui.

O movimento missionário da Igreja tem sido bom e ruim. De uma forma positiva, vamos nos focar no ruim. Nos próximos artigos nesta série, quero sugerir três formas de como não ser uma igreja missionária. Vamos organizar em três tópicos:

  1. Missões Guiadas por Eventos
  2. Missões Guiadas por Evangelismo
  3. Missões Guiadas por Ação Social

 

Missões Guiadas por Evangelismo

Essas igrejas mantém seu foco exclusivamente no evangelismo. A sua visão do Evangelho as leva a ver ação social como algo opcional. Para eles, missão é sinônimo de evangelismo, e evangelismo é altamente programático. Eles focam-se em treinar indivíduos através de programas de treinamento para evangelismo, apologética, e uso de folhetos de evangelismo. O que há de errado em aprender apresentações evangelísticas, memorizar defesas apologéticas e usar folhetos?

1. Missões guiadas por evangelismo são frequentemente baseadas em respostas e centradas no céu.

Essas igrejas treinam indivíduos e equipes sobre “Como apresentar o Evangelho” em um curto período de tempo. Tipicamente, esses programas buscam levar uma resposta específica à pessoa sendo evangelizada. Por exemplo: “Se você morresse hoje e estivesse diante de Deus e Ele dissesse: ‘Por que eu o deixaria entrar no meu céu?’ O que você diria?” Note que as perguntas pedem uma resposta. O objetivo fazer alguém dar a resposta correta e crer nos fatos certos, como “Jesus morreu pelos meus pecados”. O que precisamos é menos crença e mais fé. Em seu livro, The Future of Faith (“O Futuro da Fé”), Harvey Cox faz uma boa distinção entre crença e fé. Ele escreve: “Podemos crer que algo é verdade sem que isso faça tanta diferença para nós, mas colocamos nossa  somente em algo que é vital para a forma em que vivemos.” Podemos crer sem que isso faça nenhum diferença. Muitos americanos creem que Jesus morreu na cruz pelos seus pecados, mas isso faz pouca diferença em suas vidas. Eles possuem mera crença. Essa mera crença menospreza o Evangelho. O que precisamos é de fé. Mais do que isso, mera crença na resposta correta pega a pessoa, não com Cristo, mas com o céu. É centrada no céu, não em Cristo. Em missões centradas em evangelismo, Cristo está subordinado com o tesouro dos céus, em vez do céu estar subordinado ao tesouro de Cristo. O alvo é o céu, não Jesus. Evangelismo movido por respostas e centrado no céu leva ao nominalismo e distorce o Evangelho. Missões guiadas por evangelismo podem menosprezar e não trazer avanço para o Evangelho. 

2. Missões guiadas por evangelismo podem ser defensivas e orientadas por fatos.

Treinamento em apologética tem uma importância; no entanto, quando nossa abordagem com os não-cristãos é guiada por apologética, nós frequentemente transformamos as pessoas em projetos. Missão apologética pode estimular muita defesa e muito ataque porque foca-se na cabeça, ao ponto de excluir o coração, para mudar o ponto de vista de alguém, mas não suas vidas. Alguém concordar com nossos fatos e adotar nossa lógica não dá garantia de uma verdadeira conversão. Precisamos estar preparados, não somente para defender nossa fé, mas para amar as pessoas de forma inteligente. Muitas objeções ao Evangelho tem raízes existenciais e pessoais. Se pudermos ir além dos argumentos aos ídolos do coração, podemos mostrar o quão tremendamente superior e satisfatório Jesus é em relaçnao ao que eles mais amam, desejam e buscam!

3. Missões guiadas por evangelismo são frequentemente obsoletas e falham ao contextualizar.

Os métodos usados normalmente já vem pré-montados e são antigos. Programas evangelísticos assumem falsamente que nossos ouvintes ainda entendem o significado de pecado, Cristo e fé. Mas, frequentemente, eles ouvem algo muito diferente, como legalismo, ensino moral e mera crença. Quando falhamos não expressando o Evangelho no contexto e no vocabulário que nossos ouvintes entendem, falhamos não compartilhando o Evangelho. Cristo se atualizou e se contextualizou com todos os tipos de pessoas, para que Sua mensagem fizesse sentido e pudesse ser conectada com suas necessidades por redenção. Usar ilustrações e métodos pré-concebidos demonstram uma generalização, mas a Encarnação nos lembra que o Evangelho é muito mais pessoal e dinâmico.

4. Missões guiadas por evangelismo são individualistas.

Essa abordagem de missões treina indivíduos, não comunidades. Ela reduz o Evangelho a uma conversa entre duas pessoas, sem manter o foco no Evangelho nas comunidades. Estatísticas mostram que indivíduos convertem-se à comunidades antes de converterem-se à doutrinas. Nossos métodos são, muitas vezes, guiados por doutrinas ou são individualitas. Jesus receitou um tipo de Evangelho comunitário em João 17, onde nossa comunidade é tão redentiva e rica que leva as pessoas à Jesus. Paulo chamava um discipulado distinto nas igrejas que distinguia a comunidade da fé como um exemplo, como sal e luz em suas cidades, atraindo outros à elas. Evangelismo individualista não cria comunidade porque não converte as pessoas à igreja. Ela foca-se em converter indivíduos a um grupo de respostas e ao céu. Missões guiadas por evagenlismo não tem muito a ver com o Jesus da Igreja, com a Cabeça do Corpo.

Essa série começou semana passada continuará na semana que vem. Fique ligado.