Valnice orando

FATALISMO X SOBERANIA DIVINA X LIVRE ARBÍTRIO

Diante dos resultados das eleições 2014 e alguns comentários, sobe-me ao coração as palavras de Paulo, afirmando que a VONTADE DE DEUS é “que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:3,4). Que nenhum pereça! Alguma dúvida? Não. A vontade de Deus é que todos sejam salvos. Para tanto, em Cristo, nos proveu os meios de redenção.

Pergunta: Se Deus quer, e é soberano, porque tantos se perdem? Simplesmente porque a vontade e a soberania Divinas não anulam o livre arbítrio e a responsabilidade humana. Deus criou seres livres, com capacidade e direito de escolhas. Porém, responsáveis por elas.

Deparamo-nos com atitudes fatalistas. Segundo o Dicionário Aulete, fatalismo é a “atitude ou doutrina dos que atribuem todos os acontecimentos ao destino inevitável e prefixado, sem que se possa alterá-los ou preveni-los”. Muitas vezes ele é confundido com a soberania de Deus. “Ele é soberano, portanto determina tudo.” “O que será, será.” Tal atitude coloca o homem na posição de vítima do destino, sem capacidade de ser protagonista de sua própria história.

O teólogo reformado D. A. Carson escreve: “Os cristãos não são fatalistas. A linha central da tradição cristã não sacrifica a completa soberania de Deus, nem reduz a responsabilidade daqueles que levam a sua imagem. No reino da teologia filosófica, esta posição às vezes é chamada de compatibilismo. Isto simplesmente significa que a soberania incondicional de Deus e a responsabilidade dos seres humanos são mutuamente compatíveis.”

Não cabe aqui uma discussão teológica sobre o tema. (Para quem quer examiná-lo, sugiro perguntas e respostas simples emhttp://www.gotquestions.org/Portugues/fatalismo.html.) O que gostaria é de chamar a atenção para o fato de que não podemos responsabilizar a Deus pelas nossas escolhas pessoais e nacionais. Deus nos apresenta o caminho da vida e da morte, do bem e do mal. Somos livres para escolher. Porém não somos livres para determinar as consequências de nossas escolhas. Elas entram na categoria da semeadura e da ceifa. “O que o homem semear, isto também ceifeira.”

Deus quis ser o Rei do Seu povo Israel. Mas o povo queria um rei, como as demais nações. Deus permitiu que a vontade do povo fosse feita, advertindo-o das suas consequências. Deus queria que o povo, ao sair do Egito, entrasse na terra prometida. Levou-o pelo deserto a fim de provar seu coração. O povo se rebelou. Passou 40 anos no deserto, não porque fosse a vontade de Deus que aquilo acontecesse, mas em consequência de sua atitude para com Ele. O cumprimento da promessa atrasou décadas, não por um determinismo Divino. Toda uma geração pereceu no deserto. Mas uma nova se levantou e tomou posse da herança.

“A redenção do Brasil virá pela Igreja.” Esta foi a palavra que o Espírito trouxe ao meu coração em 1989. Redenção espiritual, cultural, política, econômica… Tudo quanto forma uma sociedade organizada deve ser transformada pela influência da Igreja. Como? Através dos seus quadros verdadeiramente discipulados nos valores do Reino de Deus. Cristãos que refletem o caráter de Cristo serão sal e luz no campo de sua atuação, seja qual for a área, levando uma influência transformadora.

No campo político, desde 1989 oro pela conversão dos políticos existentes e o levantamento de quadros para a política que sejam autênticos discípulos de Cristo. Embora minha visão englobe todos os níveis do executivo, legislativo e judiciário da nação, foco aqui apenas a presidência da República.

MARINA SILVA é alguém cuja trajetória tenho acompanhado de perto. Quanto mais a conheço, mas desejo ver os mesmos valores que ornam seu caráter em todos os nossos governantes e legisladores. Creio ser ela o melhor quadro, formado ao longo de décadas, para governar o Brasil. Creio que Deus a levantou. Compete ao povo aceitá-la ou rejeitá-la. Deus deu Jesus Cristo ao povo de Israel e ele preferiu escolher Barrabás.

Como Igreja e como nação, não estamos devidamente politizados. Deixamo-nos influenciar pela mídia, por mentiras, marketing, preconceitos, julgamentos sem conhecimento de causa, partidarismos… Por isso sofremos com nossas escolhas.

Transcrevo aqui um ítem dos motivos apresentados pelo Pr. Danilo Figueira, em sua página, para votar em Marina: “1) MARINA REPRESENTA, PELA PRIMEIRA VEZ NA NOSSA HISTÓRIA, A POSSIBILIDADE DE TERMOS ALGUÉM QUE NASCEU DE NOVO E SUBMETEU-SE A CRISTO OCUPANDO O CARGO DE MAIOR AUTORIDADE DA NOSSA NAÇÃO – Sim, meus primeiros argumentos são espirituais, porque meu voto é guiado pelo espiritual, assim como procuro fazer com qualquer coisa em minha vida. Não tenho dúvidas de que Marina Silva é convertida e temente ao Senhor e procura guiar-se pela Palavra, embora não faça disso uma bandeira política. Isso não a torna uma “deusa” ou um “Messias”, infalível, mas nos dá a oportunidade de ter alguém marcado pelo sangue do Cordeiro e selado pelo Espírito Santo no “trono” da nossa nação. Só isso já seria um grande avanço na guerra espiritual contra as trevas, mas significa muito mais…”

Quando Marina foi convidada pelo PV, em 2009, a lançá-la como candidata à presidência, recebi um “manto” de intercessão por ela e uma paixão pela causa de sua eleição. Uma das formas de Deus nos revelar Seu propósito é através da paixão colocada em nosso ser. Assim determinei-me a trabalhar pela sua candidatura. Sabia que ela não seria eleita, e disse isto à minha equipe. Mas era o início de uma caminhada. Em nossa vida, o que muitos chamam de derrota, não passa de degraus rumo à vitória. Todas as descobertas são o resultado final dos experimentos “fracassados.”

Recebi do Senhor uma palavra em meu espírito em 2009: “A Igreja ainda não está preparada (para eleger um servo de Deus para o Planalto); o caminho é longo, mas vá até ao fim, porque ninguém se elegerá sem a sua influência.” Já em 2010 perguntei ao Pai: “Não existe qualquer possibilidade de Marina ser eleita agora?” A resposta foi: “Possibilidade existe, mas depende de duas coisas: a oração unida da Igreja (2 Crônicas 7:14) e muito trabalho.” Tenho aprendido na vida cristã, que nada é automático.

Quando Marina se tornou candidata novamente, em meio a uma tragédia, repentinamente, a 45 dias das eleições (20.8), 52 dias entre a morte de Eduardo e as eleições, período em que a nação viveu todo tipo de emoção, duas coisas passaram a me dominar: Temor e sobriedade. Declarei isto em todo lugar onde falei. Também disse a todos que não queria conversar com Deus sobre sua eleição ou não. Preferia trabalhar todos os dias, sem pensar no amanhã. Durante as seis horas coletivas de oração, que dirigi em Brasília, no dia 04, fiz uma análise e declarei saber que Marina era o melhor para o Brasil, mas, primeiro: “A Igreja quer Marina.” Respondi: “Boa parte dela, não.” “A nação quer Marina?” Novamente: “Boa parte, não.” Confessei ainda que durante aqueles 52 dias, em nenhum momento, senti a euforia da certeza da vitória, em meu espírito. Mantinha a sobriedade e o temor, em estado de expectativa, pois sua eleição dependia de um milagre soberano da parte de Deus, e esta é uma área exclusiva dEle, onde ninguém pode penetrar. Esperava que o Dia de Arrependimento mudasse a atmosfera.

Não acompanhei a apuração de votos. Decidira permanecer em jejum e oração pelo Brasil até findar os 40 dias, às 18h do dia 05. Permaneci a noite em meditação e oração. Só soube dos resultados quando uma intercessora dos Estados Unidos me telefonou. Diante da pergunta: “Como se sente?” examinando o coração, não encontrei diferença entre o hoje e o ontem: temor e sobriedade.

O Brasil escolheu os candidatos que disputarão o segundo turno. Não me desviei da oração para ouvir e ler notícias. Apenas o que me chegou em correspondência pessoal de pastores e discípulos: (1) Ao digitar 40 na urna, o campo desapareceu sem que surgisse a foto e a tecla de confirmar. (2) Chegando para votar, o eleitor foi informado de que não poderia fazê-lo, pois constava que ele já havia votado. Pessoalmente não tive este problema. Mas levei minha mãe, de 89 anos, a outro lugar, e acompanhei-a junto à urna. O fenômeno do sumiço do candidato, ao teclar, ocorreu. A quantas pessoas em todo o Brasil isto ocorreu? Teria havido um esquema de fraude para roubar os votos de Marina? Teria havido defeito de urnas? Teria havido engano dos mesários? Não quero emitir juízo. Prefiro lidar com a realidade de que, como Igreja, precisamos de um real avivamento para ser o verdadeiro agente transformador de todos os seguimentos da sociedade, o que inclui a política.

Independente dos resultados das urnas, permaneço na minha posição de sentinela sobre os muros da nação. E, quanto a Marina, creio ser esta apenas mais uma etapa em sua trajetória. Ela continuará a servir ao Brasil e ao mundo, com o que Deus lhe deu, e o sonho de vê-la governando o Brasil continua vivo. Não estou triste, nem alegre. Apena reflexiva sobre o estado da Igreja de Cristo e da nação, minhas paixões de vida, pela paixão suprema: Cristo Jesus!